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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Uma ótima tarde no trabalho

Meu apetite já voltou... Hehe

Não sei se sou bipolar ou se estou aprendendo a não me prender muito a uma emoção ou sentimento se ele não me faz bem.
Mas eu também acho que essas mudanças hormonais que nós mulheres temos nos deixam assim tão cheia de fases!

Enfim...

A tarde tive uma reunião com as mães dos meus alunos para definirmos a data da nossa confraternização e aproveitamos para tirar os nomes do amigo oculto.
É o primeiro amigo oculto que os pequenos participam. Então tive toda a didática de explicar pra eles como funciona a "brincadeira", foi muito divertido e as mães ficaram babando.
Depois da reunião a aula fluiu muito bem e o melhor momento para mim foi a hora da história.
Eu ADORO contar histórias e fico me sentindo A PROFESSORA quando vejo a carinha de interesse deles, vidrados em mim. É o meu momento.
Lá na escola tem uns livros bem legais.
Ontem eu li e contei "As Tranças de Bintou" (Sylviane A. Diouf). Esse livro é uma graça. A autora conta o sonho de Bintou, uma menina africana, de ter tranças como todas as mulheres mais velhas de sua aldeia. Mas, como ainda é criança, tem de se contentar com os birotes. A autora Sylviane A. Diouf, filha de pai senegalês e mãe francesa, criou uma delicada história sobre a angústia do rito de passagem e o aprendizado do crescimento. As ilustrações de Shane W. Evans reforçam beleza, tradição e encantamento da cultura africana. Um belo exercício de respeito à pluralidade cultural e ao amadurecimento.

A história de hoje foi "A festa no céu" - Primeiro cantamos a música e depois veio o livro cheio de ilustrações e a história. Muito, muito bom!

Finalmente brincamos com massinha, modelando as personagens e fazendo o reconto da história!

Uma tarde feliz!

PS* O que me deixou assim, foi sentir que hoje eu fiz meu trabalho de educadora bem feito, que passei muitas coisas boas para as crianças! Isso é bom demais!!!

E agora lá vou eu pra mais uma tarefa da pós graduação... Ainda estamos na disciplina Pintura.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Menina Bonita do Laço de Fita"

MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA
(Ana Maria Machado)

Era uma vez uma menina linda, linda. Os olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, os cabelos enroladinhos e bem negros. A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva.
Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laços de fita coloridas. Ela ficava parecendo uma princesa das terras da áfrica, ou uma fada do Reino do Luar.
E, havia um coelho bem branquinho, com olhos vermelhos e focinho nervoso sempre tremelicando. O coelho achava a menina a pessoa mais linda que ele tinha visto na vida.
E pensava:
- Ah, quando eu casar quero ter uma filha pretinha e linda que nem ela...
Por isso, um dia ele foi até a casa da menina e perguntou:
- Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
­- Ah deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina...
O coelho saiu dali, procurou uma lata de tinta preta e tomou banho nela. Ficou bem negro, todo contente. Mas aí veio uma chuva e lavou todo aquele pretume, ele ficou branco outra vez.
Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é o seu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu tomei muito café quando era pequenina.
O coelho saiu dali e tomou tanto café que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi. Mas não ficou nada preto.
- Menina bonita do laço de fita, qual o teu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:­
- Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina.
O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba até ficar pesadão, sem conseguir sair do lugar. O máximo que conseguiu foi fazer muito cocozinho preto e redondo feito jabuticaba. Mas não ficou nada preto.
Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia e... Já ia inventando outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha...
Aí o coelho, que era bobinho, mas nem tanto, viu que a mãe da menina devia estar mesmo dizendo a verdade, porque a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até com os parentes tortos.
E se ele queria ter uma filha pretinha e linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.
Não precisou procurar muito. Logo encontrou uma coelhinha escura como a noite, que achava aquele coelho branco uma graça.
Foram namorando, casando e tiveram uma ninhada de filhotes, que coelho quando desanda a ter filhote não para mais!
Tinha coelhos de todas as cores: branco, branco malhado de preto, preto malhado de branco e até uma coelha bem pretinha. Já se sabe, afilhada da tal menina bonita que morava na casa ao lado.
E quando a coelhinha saía de laço colorido no pescoço sempre encontrava alguém que perguntava:
- Coelha bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?
E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha madrinha...