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sábado, 4 de setembro de 2010

A reforma da natureza

Todos os dias antes de começar a aula, eu costumo ler uma história para meus alunos. Isso acalma eles, faz-nos viajar, e incentiva a leitura também.
Essa semana eu terminei de ler A reforma da natureza. Eu adoro contar histórias e adorei esse livro.
Li um capítulo por dia e todo dia quando terminava os alunos queriam mais e eu mesma ficava curioso, com vontade de ler o próximo capítulo.
O livro escrito por Monteiro Lobato, foi publicado em 1939.
A história começa quando Dona Benta, Tia Nastácia e o Visconde de Sabugosa são convidados pelos chefes da Europa para participar da Conferência da Paz de 1945, como representantes da Humanidade e do Bom Senso. Desta forma, a pequena "República do Sítio do Picapau Amarelo" poderá ensinar à humanidade o segredo de bem governar os povos. Pedrinho e Narizinho vão junto, mas Emília não quis ir.
Durante a leitura os alunos tiveram a oportunidade de conhecer conceitos como Democracia, Ditadura, Monarquia. Saber um pouco sobre as idéias e ideais de Hitler e Stalin. Refletir sobre a guerra e sobre o que é necessário para haver paz entre os povos.
A cada capítulo, mais fantasia com a idéias de Emília, que na verdade não quis a ir conferencia porque estava encucada com a reforma da natureza. Com a ajuda de Rã, sua amiga do Rio de Janeiro, ela criou o passarinho-ninho; o livro comestível; o porco magro (testado no Rabicó); o sei-lá-que-animal-é-esse (testado no Quindim); o bule que apita; usaram as forças centrífuga e centrípeta para manipular a cadeira de balanço de Dona Benta e a cama de Narizinho; colocaram as abóboras na jabuticabeira e as jaboticabas no pé de abóbora; o pernilongo cantor; a gaiola de cabelo; as pulgas moles e paradas no meio do ar; moscas sem asas; a reforma na vaca mocha; reforma na personalidade das borboletas azuis...
A segunda parte do livro começa quando Dona Benta volta da Europa, e Emília perde quase tudo de sua reforma. Mas, com a ajuda de Visconde, fez sua re-reforma da natureza: fez enxertos in anima vile ("em animais vagabundos"), em formiga, grilo, minhoca, pulga e centopéia. Graças a isso, e uma ajuda das aulas sobre glândulas (as glândulas tireóide e pituitária), fizeram insetos gigantes, pulga que pulava à 220 metros de altura, e a "noventaequatropéia" (centopéia de noventa e quatro pernas), e minhoca de seis pernas, e muito mais coisas.
A segunda parte da Reforma da Natureza, muitas vezes é encontrada num livro chamado o espanto das gentes, o livro comum só contem na maioria das vezes a primeira parte. O livro foi lançado pela ed globo em 2008 com as duas partes e custa em torno de 20,00 reais. Indicado para crianças entre 6 a 12 anos. Mas a marmanjona aqui adora essas histórias.
Nós temos esse livro na escola e outros muito legais que eu me delicio contanto para as crianças.

Voltando no ínicio da história, quando a Emília manda a carta convidando a amiga Rã para ir ao Sítio ajudar na reforma... Adivinhem como a Rã vai parar no Sítio?
Cheirando um pouquinho do pó mágico, é claro...
Eu sei que o pó mágico é o artíficio usado para transportar as pessoas de um lugar a outro nas histórias do Monteiro Lobato. Mas eu sempre que leio, fico encucada com o tal pó.
Eu acho o Monteiro Lobato inteligentíssimo e usa as histórias "infantis" pra fazer muitas críticas sociais. Ele tinha uma imaginação incrível pra criar histórias como essa da Reforma da Natureza. Não é a toa que o dia do seu nascimento foi declarado dia nacional do Livro Infantil. As coisas que ele pensa através da Emília, boneca de pano que virou gentinha, são demais e, cá entre nós, eu fico aqui pensando se ele não usava o tal pó de pirlimpimpim ou alguma outra coisa pra aguçar sua imaginação. Não que eu ache que uma pessoa não consiga viajar e imaginar sem a ajuda de drogas, mas eu só penso isso pelo fato dele citar o tal pó nas histórias...
Será o pó de pirlimpimpim o que eu penso que é?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Menina Bonita do Laço de Fita"

MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA
(Ana Maria Machado)

Era uma vez uma menina linda, linda. Os olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, os cabelos enroladinhos e bem negros. A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva.
Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laços de fita coloridas. Ela ficava parecendo uma princesa das terras da áfrica, ou uma fada do Reino do Luar.
E, havia um coelho bem branquinho, com olhos vermelhos e focinho nervoso sempre tremelicando. O coelho achava a menina a pessoa mais linda que ele tinha visto na vida.
E pensava:
- Ah, quando eu casar quero ter uma filha pretinha e linda que nem ela...
Por isso, um dia ele foi até a casa da menina e perguntou:
- Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
­- Ah deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina...
O coelho saiu dali, procurou uma lata de tinta preta e tomou banho nela. Ficou bem negro, todo contente. Mas aí veio uma chuva e lavou todo aquele pretume, ele ficou branco outra vez.
Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é o seu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu tomei muito café quando era pequenina.
O coelho saiu dali e tomou tanto café que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi. Mas não ficou nada preto.
- Menina bonita do laço de fita, qual o teu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:­
- Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina.
O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba até ficar pesadão, sem conseguir sair do lugar. O máximo que conseguiu foi fazer muito cocozinho preto e redondo feito jabuticaba. Mas não ficou nada preto.
Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia e... Já ia inventando outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha...
Aí o coelho, que era bobinho, mas nem tanto, viu que a mãe da menina devia estar mesmo dizendo a verdade, porque a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até com os parentes tortos.
E se ele queria ter uma filha pretinha e linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.
Não precisou procurar muito. Logo encontrou uma coelhinha escura como a noite, que achava aquele coelho branco uma graça.
Foram namorando, casando e tiveram uma ninhada de filhotes, que coelho quando desanda a ter filhote não para mais!
Tinha coelhos de todas as cores: branco, branco malhado de preto, preto malhado de branco e até uma coelha bem pretinha. Já se sabe, afilhada da tal menina bonita que morava na casa ao lado.
E quando a coelhinha saía de laço colorido no pescoço sempre encontrava alguém que perguntava:
- Coelha bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?
E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha madrinha...